Aumento de casos, queda na confiança: crise de credibilidade do governo durante a pandemia

12 marzo, 2021

Estudo internacional com participação da UFSM aponta descrença da comunidade nas informações repassadas por gestores públicos e pela mídia tradicional

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou, ainda em 2011,  a comunicação como competência essencial para o enfrentamento de uma pandemia. O novo coronavírus, maior crise sanitária dos últimos 100 anos, trouxe consigo uma enxurrada de informações e nem todas são confiáveis. No momento em que o país enfrenta a pior fase da pandemia, uma comunicação eficiente – com informações corretas – pode ser a diferença entre a vida e a morte. No entanto, além das crises sanitária, política e econômica, o Governo Federal enfrenta uma crise de credibilidade. 

Segundo pesquisa da European Public Relations Education and Research (Euprera), também integrada pela UFSM, 82% dos brasileiros desconfiam das informações dadas pelo governo e apenas 9% confiam em suas informações. Dos 866 participantes de todas as regiões do país, 14% confiam mais em seus amigos do que no Ministério da Saúde ou na Presidência, por exemplo. Influenciadores alternativos também ficaram à frente do governo, considerados confiáveis por 11% das pessoas. Além disso, 79% dos participantes acreditam que os gestores públicos não têm revelado a verdade, enquanto 75% acreditam que o governo tem confundido a população.

As fontes de informação consideradas mais confiáveis foram profissionais renomados da área da saúde, citados por 80% dos participantes. Em seguida, aparece a OMS, com 78%. Os meios de comunicação, considerados confiáveis por 52% dos entrevistados, foram a alternativa mais classificada como indiferente – “não concordo, nem discordo” – por 21% dos entrevistados. Ainda, 27% dos participantes afirmam desconfiar das informações apresentadas pelas mídias tradicionais. 

Entre os principais meios para se obter informações, a televisão está em primeiro lugar, lembrada por 71% dos participantes. Em seguida, a imprensa online com 54%, sites de instituições públicas com 50%, Whatsapp com 47%, rádio com 46% e jornais impressos com 45%.

Além de buscar entender a relação do brasileiro com as informações midiatizadas durante a pandemia, a pesquisa busca destacar as mais eficientes e democráticas ações de enfrentamento à pandemia por meio das políticas de saúde e de comunicação propostas por diferentes governos. Para isso, os países participantes – China, Turquia, Portugal, Espanha e Eslovênia e Brasil – elaboraram questionários que abordam situações cotidianas da população, além de referências teóricas sobre o tema. Essa foi a base para as perguntas-chave aprovadas pelo comitê internacional da associação e que esteve presente em questionários de todas as nações. 

As principais mensagens do governo, segundo o público

Para o público entrevistado pelo estudo da Euprera, as três principais mensagens que o governo brasileiro apresentou sobre a Covid-19 foram: 

1- “A vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos sim, voltar à normalidade”, citada por 68,5% dos participantes. 

2- “A imprensa está superdimensionando o efeito devastador da Covid-19”, lembrada por 65,5% dos entrevistados. 

3- “Não é necessário entrar em pânico por causa da Covid-19, pois ela é apenas uma gripe”, foi citada por 60,3% das pessoas.

A frase menos lembrada pelos entrevistados foi: “Covid-19 é perigosa e as fronteiras deveriam ter sido fechadas para pessoas de países com altos níveis de contagiosidade”, com 6% de citações.

Euprera e sua atuação no Brasil

Composta por pesquisadores em Relações Públicas e Comunicação Estratégica de diversos países, a Euprera tem como objetivo identificar as tendências do mercado de trabalho. Um dos seus principais projetos é o Global Communication Monitor, composto por outros observatórios, como o Latin American Communication Monitor. Por meio do grupo latino-americano, ocorre a coleta e a análise de informações sobre as rotinas dos principais departamentos e agências de comunicação do Brasil. Esses dados auxiliam na identificação de competências necessárias para o aprimoramento profissional.

Com a pandemia, os pesquisadores associados à Euprera se organizaram para avaliar a comunicação governamental e da mídia sobre a Covid-19 em diferentes países. Por meio da análise das ações governamentais em contextos de gestão de crise, o estudo visa preparar profissionais de comunicação e gestores públicos para a construção de estratégias de comunicação que informem a população com mais eficiência. 

Três pesquisadores representam a UFSM na “Seção Brasil” da pesquisa. Os professores do Departamento de Ciências da Comunicação (DECOM), Lana D’Ávila Campanella, José Antônio Meira da Rocha e Karen Cristina Kraemer Abreu, que atuam no campus Frederico Westphalen e participam do grupo gestor da pesquisa. Também atua como professor associado Marcus Vinicius Bonfim, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). A coordenação da Seção Brasil é das professoras Andreia Silveira Athaydes, da Faculdade Integrada de Taquara (FACCAT), e Andréa Oliveira dos Santos, da Universidade de Girona, Espanha.

Neste momento, os países envolvidos na pesquisa estão revelando os resultados de suas pesquisas. Posteriormente irá ocorrer a comparação de dados entre os mesmos países – que corresponde a segunda parte da pesquisa.

Expediente

Repórter: Bernardo Salcedo*, acadêmico de Jornalismo e bolsista

Ilustradora: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista

Mídia Social: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Maurício Dias, jornalista

*Colaborou Natália Menuzzi, acadêmica de Jornalismo

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Esta investigación junto al European Communication Monitor, el Asia - Pacific Communication Monitor y el North American Communication Monitor conforman el Global Communication Monitor que dirige el Prof. Dr. Ansgar Zerfass (Leipzig University, Alemania): el mayor y más prestigioso estudio mundial, con 14 años de antigüedad, resultados de más de 80 países y 30 mil profesionales participantes.